aprendi um jeito de inutilizar a vida. vou guardando coisa pequena que ninguém pediu. uma luz, uma sobra, uma frase. uma tarde inteira que não rendeu nada e ficou comigo.
aprendi a tirar foto do que não pedia foto. a escrever sobre o que ninguém ia ler. a perder tempo com imperfeição.
o útil acaba. o inútil fica.
apanhador de teimosiaso tamanho das coisas inúteis№ 01
dizer sim antes de entender tudo.
não viemos para buscar dias iguaiso tamanho das coisas inúteis№ 02
um salto sem rede, um caminho que ninguém validou antes.
não viemos para buscar dias iguaiso tamanho das coisas inúteis№ 03
habitar o vazio entre o envio e a chegada.
o último carteiro de são pauloo tamanho das coisas inúteis№ 04
só um caminho que sobe e some.
apanhador de teimosiaso tamanho das coisas inúteis№ 05
chego já.
os três moradoreso tamanho das coisas inúteis№ 06
o vazio tem esse dom de não se anunciar.
o último carteiro de são pauloo tamanho das coisas inúteis№ 07
uma tarde inteira que não rendeu nada e ficou comigo.
apanhador de teimosiaso tamanho das coisas inúteis№ 08
o tempo, no entanto, é um artesão paciente.
o fim das superfícies lisaso tamanho das coisas inúteis№ 09
naquela hora eu não era nada. nem era cargo, nem era filho, nem ninguém esperado em lugar nenhum.
apanhador de teimosiaso tamanho das coisas inúteis№ 10
são elas que permitem a entrada da luz, não a estética do liso.
o fim das superfícies lisas