cfminelli

os prédios se levantam como gigantes, peneirando o sol de atravessar. o dia e a noite se confundem, as sombras da cidade vieram para ficar. sinto o abano do vento dos que passam apressados por mim, sem nem a mim, notar. sinto o cerco se fechando, não há pra onde ir. vejo o circo formado, palhaço nenhum me faz mais rir. a cidade nos oferece com uma mão e nos tira com a outra, nos sequestra. nos convence de diferentes formas, que ela nos interessa. mas só quem é capaz de ficar parado, por um milésimo de segundo, consegue reparar que estamos diante de um falso mundo. mundo que insiste em nos fazer afastar, de quase tudo.

nova york

sombras da cidade№ 01

uma página boa levava a tarde inteira.

terça-feira, nada

sombras da cidade№ 02

viraram um cargo, uma assinatura de email, uma agenda cheia.

apanhador de teimosias

sombras da cidade№ 03

como rio seco, ou coberto por avenida.

apanhador de teimosias

sombras da cidade№ 04

olho pra eles e penso que poderia ter sido eu.

apanhador de teimosias

sombras da cidade№ 05

uma luz cai num muro de um jeito que ninguém mais viu, e você para.

apanhador de teimosias

sombras da cidade№ 06

falo com quarenta pessoas por dia. nas cartas, não tinha uma.

o último carteiro de são paulo

sombras da cidade№ 07

o pensamento, quando corre rápido demais, tropeça nas próprias pernas e chega em lugar nenhum.

o último carteiro de são paulo

sombras da cidade№ 08

sombras da cidade№ 09

sombras da cidade№ 10

a luz fria não tinha nada. mesmo assim ela ficou.

terça-feira, nada

sombras da cidade№ 11

uma rua que terminava nela mesma.

os três moradores